.

Amamentação: mais de dez benefícios para o bebê e a mamãe

355187-amamentacao-do-bebê

Estima-se que o aleitamento materno poderia evitar 13% das mortes de crianças menores de cinco anos em todo o mundo, além de diminuir os riscos de alergias e doenças respiratórias, evitar a desnutrição e obesidade infantil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que um milhão de crianças morrem a cada ano de diarreia, infecções respiratórias agudas e outras doenças infecciosas, porque não foram adequadamente amamentadas ao peito. Portanto, estimular o aleitamento materno significa, antes de tudo, evitar a mortalidade infantil, principalmente na primeira infância, período que vai até os seis anos de vida.

Já são perceptíveis os resultados de políticas públicas e campanhas de incentivo ao aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis primeiros meses de vida. Segundo a OMS e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), cerca de seis milhões de vidas de crianças estão sendo salvas a cada ano por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva.

Contudo, Anna Chiesa, Professora da Escola de Enfermagem da USP e consultora da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, alerta para a necessidade do apoio técnico e emocional às mães no âmbito da Atenção Básica. “Embora pareça um processo natural, a mãe tem muitas dúvidas e angústias. Obstetras, enfermeiros, visitadores e familiares precisam encorajar a amamentação e, para isso, é fundamental que todos estejam bem informados. Esses agentes, além de terem conhecimentos básicos e habilidades técnicas, precisam se comunicar com eficiência e, principalmente, saber ouvir a lactante, entendê-la e dialogar sobre os prós e contras das opções”, explica Anna.

É importante também orientar sobre as percepções da lactante em relação a sua capacidade de nutrir plenamente o bebê. “A grande maioria das mulheres tem condições biológicas para produzir leite suficiente para atender à demanda de seu filho. No entanto, uma queixa comum durante a amamentação é “pouco leite” ou “leite fraco”, um reflexo da insegurança, reforçada muitas vezes por pessoas próximas, que interpretam os choros dos bebês, comuns nessa idade, como sinais de fome, o que é um erro”, complementa Anna.

Introduzir alimentação complementar nessa fase, além de aumentar os riscos de diarreia, vai contribuir na diminuição na produção de leite, processo que pode culminar na interrupção da amamentação. Ao passo que, quanto mais a criança é alimentada no peito, mais leite será produzido pela mãe.

Os benefícios da amamentação:

Para a criança Para a mãe
Reduz a chance de obesidade

  • Crianças amamentadas tem chance 22% menor de vir a apresentar sobrepeso;
  • Quanto maior o tempo em que o indivíduo foi amamentado, menor será a chance de ele vir a apresentar sobrepeso, isso graças ao desenvolvimento de mecanismos de autorregularão de ingestão de alimentos das crianças amamentadas;
  • A composição única do leite materno participa no processo de “programação metabólica”, alterando, por exemplo, o número e/ou tamanho das células gordurosas ou induzindo o fenômeno de diferenciação metabólica.
Protege contra câncer de mama e ovário 

  • Estima-se que o risco de contrair a doença diminua 4,3% a cada 12 meses de duração de amamentação;
  • Essa proteção independe de idade etnia, paridade e presença ou não de menopausa.

 

Evita infecção respiratória

  • Protege contra infecção respiratória, principalmente quando a amamentação é exclusiva nos primeiros seis meses, e diminui a gravidade dos episódios de infecção respiratória;
  • A chance de uma criança não amamentada internar por pneumonia nos primeiros três meses é 61 vezes maior do que em crianças amamentadas;
  • O risco de hospitalização para uma criança não amamentada por bronquiolite é sete vezes maior;
  • Previne otites. 15
Evita nova gravidez

  • A amamentação é um excelente método anticoncepcional nos primeiros seis meses após o parto, com 98% de eficácia, desde que a mãe esteja amamentando exclusiva ou predominantemente e ainda não tenha menstruado;
  • Estudos comprovam que a ovulação nos primeiros seis meses após o parto está relacionada com o número de mamadas; assim, as mulheres que ovulam antes do sexto mês após o parto em geral amamentam menos vezes por dia que as demais.
Diminuição do risco de alergias

  • Estudos mostram que a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida diminui o risco de alergia à proteína do leite de vaca, de dermatite atópica e de outros tipos de alergias, incluindo asma e sibilos recorrentes;
  • A exposição a pequenas doses de leite de vaca nos primeiros dias de vida parece aumentar o risco de alergia ao leite de vaca. Por isso é importante evitar o uso desnecessário de fórmulas lácteas nas maternidades.
Menores custos financeiros

  • O gasto médio mensal com a compra de leite para alimentar um bebê nos primeiros seis meses de vida no Brasil variou de 38% a 133% do salário-mínimo, dependendo da marca da fórmula infantil.
  • A esse gasto devem-se acrescentar custos com mamadeiras, bicos e gás de cozinha, além de eventuais gastos decorrentes de doenças, que são mais comuns em crianças não amamentadas.

 

Melhor desenvolvimento da cavidade bucal

  • O exercício que a criança ao sugar o leite é muito importante para o desenvolvimento adequado de sua cavidade oral, que influenciará no alinhamento da dentição;
  • O desmame precoce pode levar à ruptura do desenvolvimento motor-oral adequado, podendo prejudicar as funções de mastigação, deglutição, respiração e articulação dos sons da fala, ocasionar má-oclusão dentária, respiração bucal e alteração motora-oral.

 

Redução dos riscos de infecções pós-parto

  • Ajuda a contrair o útero materno, reduzindo o risco de sangramento intenso ou de infecções.

 

¹SAÚDE DA CRIANÇA: Nutrição Infantil Aleitamento Materno e Alimentação ComplementarMinistério da Saúde – 2009

Os benefícios vão muito além do desenvolvimento físico da criança. “É durante a amamentação que se estabelece o primeiro vínculo do bebê com a mãe. A posição da amamentação também proporciona uma sensação de conforto e acolhimento, já que criança ouve os batimentos cardíacos da mãe, o primeiro que ela teve contato na vida, ainda útero da mãe”, esclarece Anna.

O UNICEF alerta para a necessidade de amamentar o bebê logo após o nascimento. É importante também prestar atenção na maneira que a mãe segura o bebê. A posição correta faz com que ele posicione a boca sobre o seio da forma adequada, o que facilita a amamentação. O corpo do bebê deve estar totalmente voltado e próximo à mãe, de maneira que ele se fique relaxado e feliz.  Segurar o bebê em uma posição que dificulte a sua amamentação pode causar rachaduras e feridas nos bicos dos seios, produção insuficiente de leite, além de provocar a recusa do bebê em se alimentar.

Dicas para amamentação

Sinais de que o bebê está em uma boa posição para mamar são:

  • O corpo do bebê está totalmente voltado para a mãe;
  • O bebê está próximo da mãe;
  • O bebê encontra-se relaxado e feliz.

 

Segurar o bebê em uma posição que dificulte a sua amamentação pode causar:

  • Rachaduras e feridas nos bicos dos seios;
  • Produção insuficiente de leite;
  • Recusa do bebê em se alimentar.

 

Sinais de que o bebê está se alimentando bem:

  • A boca do bebê está bem aberta;
  • O queixo do bebê está encostado no peito da mãe;
  • A pele mais escura ao redor do bico do seio está mais visível acima do que abaixo da boca do bebê;
  • As mamadas do bebê são longas e as sugadas demoradas;
  • A mãe não sente nenhuma dor no bico dos seios.